Reportagens Especiais

Rosa no outubro realça combate ao câncer

Especialista contra o câncer acentua que doença abre um rombo nos cofres públicos


Vale do Taquari - Se só por hoje você não vai beber, vai evitar o primeiro gole, só por hoje você começa a se cuidar, e a cada manhã renove esse propósito. Só por hoje vou ter hábitos saudáveis, sem consumir em excesso, sem fumar. Só por hoje.
Só por hoje, o Outubro Rosa vai longe, é isso que quer o especialista em saúde Glademir Schwingel. "Se a cada dia tivermos essa consciência de que é necessária certa harmonia entre corpo e mente, tudo fica mais fácil. Isso acaba por se incorporar na nossa vida, e a saúde é a consequência."
O Brasil se veste de rosa em outubro para marcar uma data mundial em favor da mulher e da prevenção: atuar contra o câncer. Lajeado embarca na onda ao combater todos os tipos de câncer. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) quer que durante o mês, as empresas liberem funcionárias para fazer exames de prevenção. E enquanto elas vão aos testes, perceberão que o visual da cidade mudou. Durante outubro, estátuas e pontos da cidade vão ter a cor da mulher para defender a causa. Essa é uma ação que persiste há anos. A iluminação da Casa de Cultura lembra da luta mundial contra o tumor mais perverso para as mulheres e da necessidade que elas têm de se cuidar.
O Outubro Rosa começou há 15 anos, na Califórnia, para alertar a população sobre a importância do exame a partir dos 40 anos, mas em Lajeado, a ideia é falar da prevenção de todos os tumores.

Cresce oferta de mamografia
O especialista em Saúde da Coordenadoria Regional, Glademir Schwingel, diz que a oferta de exames de mamografia cresceu em cinco anos.  No primeiro semestre do ano, foram 5.032 mulheres da região que fizeram o exame nos 42 municípios do Vale. "Se as expectativas se confirmarem, este ano poderemos chegar a 11.580, e em 2013, a mais de 15.180. Isso impactará positivamente a detecção precoce do câncer de mama", avalia Schwingel.
A região tem seis hospitais e uma clínica habilitados a fazer mamografia pelo SUS. São, ao todo, uma oferta de 965 testes mensais. Mas com mais 300 exames que serão oferecidos em Taquari, chegará a atingir 1.265. É quase o que preconiza os critérios do Instituto Nacional do Câncer (Inca). "Considerando as mulheres com 40 anos ou mais da região, temos uma necessidade de 1,7 mil exames mensais. Portanto, já alcançaremos, pelo SUS, quase 75% da necessidade regional", enfatiza o especialista. Se levar em conta que há um grupo de mulheres que fazem seus testes por meio dos planos de saúde ou na rede privada, considera-se que a região está bem assistida.

Em 2010, 518 mortes por câncer
Numa região em que o câncer tem alta incidência, ele recomenda cautela e toque. Mulher tem que se tocar e ir ao médico. Por isso, os especialistas falam tanto na mamografia. Ela é fundamental para identificar precocemente o câncer de mama. "Mas o autoexame não é suficiente, pois não é possível detectar nódulos muito pequenos.", enfatiza  Schwingel. Em 2010, na região da 16ª CRS,  518 pessoas morreram por decorrência do câncer. "Esse porcentual vem aumentando. Isto se explica porque hoje conseguimos aperfeiçoar os diagnósticos por um lado, e temos uma população que cada vez vive mais, e na população mais idosa, a frequência de câncer aumenta, tendo em vista a degeneração biológica natural."
 A expectativa de vida do gaúcho, em breve, será de 80 anos, enquanto em 1980 não passava de 58 anos. "Pagamos um preço por viver mais, e o que precisamos, então, é que esse processo de envelhecimento seja o mais bem-sucedido possível, com qualidade, sem doenças, o que se faz com um estilo de vida saudável e prevenção. E o exame periódico faz parte da prevenção", acentua Schwingel. No Vale do Taquari, o câncer de mama é prevalente, e existem muitos casos novos da doença acometendo mulheres jovens, enfatiza a médica especializada em mastologia Débora Bolsi de Vasconcelos. "Ainda não se sabe a causa da maior prevalência nos estados do Sul, mas há vários fatores que podem influenciar como obesidade, tabagismo e maior número de diagnóstico em relação aos estados do Norte e Nordeste".

Câncer mais comum na região
- Nos homens: de pulmão e  próstata.
- Entre as mulheres: o de mama e o de câncer de colo de útero.
-  O câncer que causou mais mortes, considerando os dois sexos, foi o de pulmão: 800 mortes a mais em dez anos.

Como se cuidar
- Pare de fumar.
- Faça atividades físicas regulares.
-Mesmo assim, você pode ser vítima do câncer.
- Mas a ciência já mostrou que "quanto mais nos aproximamos das causas do câncer, maiores as chances de evitar doença".

Só por hoje, nunca mais
Schwingel se apropria de uma expressão usada no AA (alcoólicos anônimos) para responder a um questionamento básico: como se cuidar? "Só por hoje". Ele enfatiza que cuidando hoje, e a cada manhã renovando o propósito, a pessoa começa a ter hábitos saudáveis.

Causas
Os motivos são variados, mas as explicações mais aceitas são o tabagismo, que ainda é o grande vilão, os hábitos de vida pouco saudáveis, o consumo de produtos químicos presentes em alimentos, o contato com agrotóxicos e daí por diante. A lista das causas é grande. "Mas o que cabe aqui ressaltar é que nós não somos diferentes de qualquer outra região, ou seja, todos estão sujeitos a ter câncer e, para evitá-lo, só tem um jeito: lutar contra ele." 

Onde tem mamografia
 - Hospital Santa Terezinha, de Encantado, com 200 exames mensais.
- Hospital São José, de Arroio do Meio, com 71 exames.
- Hospital Leonilda Brunet, de Ilópolis, com 150 exames.
- Clínica Imagem, em Estrela, com 80 exames.
- Hospital Ouro Branco, de Teutônia, com 264 exames.
- Hospital Bruno Born, com 200 exames.

O câncer como mestre
A médica Débora Bolsi de Vasconcelos, especializada em mastologia, salienta que o câncer desperta mitos na mulher e o medo da morte. "No início ocorre  o período de negação; após, tristeza e ódio; e por fim vem um período de aceitação, geralmente isso ocorre no final do tratamento." Ela diz que a mulher deve pensar na doença como um " mestre" da transformação de valores em sua vida.
Portanto, o câncer de mama passa a mudá-las. Depois que se vence a doença, as pacientes se tornam pessoas diferentes. "É importante enfatizar que a doença deve servir como um alicerce para uma nova transformação de vida  e superação pessoal." Para a especialista, o câncer de mama impõe desafios tanto para as pacientes quanto para os familiares. Vivenciar situações  exige redefinições, formas de enfrentamento, mudanças na dinâmica familiar e períodos extensos de adaptação. "Neste momento, os papéis dos familiares, que até o momento se encontravam estáveis e definidos, necessitam ser remanejados ou ajustados a fim de responder  às demandas geradas pela doença."

Andréia Rabaiolli
andreia@informativo.com.br

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