Política

Projeto que aumenta repasse ao HBB fica para a semana que vem

Atendimento do Hospital Bruno Born motiva debates na sessão da Câmara

Créditos: Matheus Aguilar
VISTAS: Waldir Blau (MDB) pediu vistas ao projeto que amplia repasses ao HBB - Lidiane Mallmann

Lajeado - Um mês e meio depois do episódio em que um homem ateou fogo na recepção do pronto atendimento do Hospital Bruno Born (HBB), a relação entre a casa de saúde o Legislativo lajeadense segue estremecida. Desde aquele 1º de abril, quando a porta da frente da emergência foi fechada para atendimento ao público, a Câmara protela a votação do Projeto de Lei 044, que aumenta o valor do repasse mensal para o hospital dos atuais R$ 440.673,50 para R$ 512 mil.

Previsto na ordem do dia da sessão de ontem, o projeto recebeu pedido de vistas por parte de Waldir Blau (MDB). Ildo Salvi (Rede), Neca Dalmoro (PTB) e Marcos Schefer (MDB) foram contra a solicitação do colega. Como a maioria do plenário ficou a favor de Blau, ele promete colocar o texto em votação na próxima sessão com o acréscimo de emenda. "O PL 044 me preocupa. Não podemos deixar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) virar um pronto socorro. Não acredito que a UPA tenha estrutura para atender todos os municípios com recursos apenas de Lajeado, do Estado e da União", sustenta Blau. "Se o HBB não estiver de acordo com o que votamos, temos que rever o contrato", prossegue.

Neca Dalmoro lembrou que os representantes da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde deixaram claro que é obrigação do hospital manter as portas abertas. "Não queremos uma queda de braço com o HBB. Estamos pedindo que se mantenha as portas abertas, se coloque um guarda e incorporem a humanização nas rotinas de trabalho", frisa. Sérgio Kniphoff (PT) reforça que o hospital nunca fechou as portas. "E nunca vai fechar", afirma.

Clima quente

Mariela Portz (PSDB) fez uma defesa firme do Hospital Bruno Born (HBB). Ela diz que é preciso responsabilidade, coerência e bom senso. "Em nenhum momento o HBB disse que fecharia suas portas. Não é verdade que se alguém cair na calçada em frente ao hospital ou for atropelado só entra se for de ambulância", ressalta. "Estou vendo uma distorção de informações. Estamos discutindo, muitas vezes, com informações erradas. Temos que ser responsáveis em relação a isso. É proibido por lei que o hospital feche as portas", frisa.

A vereadora comenta a necessidade de organização das rotinas. "O Pronto Atendimento é um serviço diferente do Pronto Socorro. O Pronto Socorro é para urgência e emergência. Essa organização precisa acontecer. É por isso que temos posto de saúde, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o hospital", explica. "Cada serviço desses é destinado a determinados tipos de atendimento. Quem somos nós para dizer ou distorcer informações de onde vão ser atendidos ou através de que porta? A gente não pode fazer isso", complementa.

Paulo Tori (PPL) rebateu a fala de Mariela. "Com todo o respeito ao HBB, mas quando nos chamaram para reunião lá, tentaram nos encurralar. Agora, não vieram aqui conversar conosco. Parece que não estão nem aí para a população", refere. "Ninguém aqui disse que a porta está fechada. Só queremos saber o porquê não deixar a porta da frente aberta para quem busca atendimento", continua o vereador. "Pelas manifestações, dá pra ver quem aqui tem condições de pagar um bom plano de saúde. As pessoas de classe média baixa merecem a mesma oportunidade de atendimento. Alguns vereadores precisam lembrar que o povão lá fora também vota", sugere.

Presidente da Câmara, Eder Spohr (MDB) classifica a fala de Mariela como feita com uma "veemência fora de propósito". "Queremos que essas pessoas que não têm condições de pagar por um plano de saúde tenham o direito de serem atendidas pela porta da frente, e não pelos fundos", complementa.

Comissão da Saúde

A reunião realizada na manhã de ontem, reuniu a Comissão de Saúde, formada pelos vereadores Ildo Salvi, Neca Dalmoro e Mozart Lopes; também Nilson Do Arte, Mariela Portz; o presidente da Câmara, Eder Spohr, assessores; além do secretário da Saúde de Lajeado, Tovar Musskopf; o coordenador 16ª Coordenadoria Regional de Saúde, Ramon Zunchetti; e os integrantes da 16ª, Álvaro Junqueira e Glademir Schwingel.

Na pauta do encontro realizado na Câmara Vereadores de Lajeado, esteve nova discussão sobre a PL 044, que trata sobre o convênio com o Hospital Bruno Born, no valor de R$ 512 mil. Outra discussão recorrente, é a que diz respeito ao atendimento voltar a ser feito como ocorria anteriormente no setor de emergência do HBB. Salvi ressaltou que os pacientes poderiam entrar pelo Pronto Atendimento, dividindo o espaço com o acesso dos conveniados da Unimed. "Em qualquer lugar do Brasil as pessoas são atendidas pela porta da frente, não é admissível que aqui seja pelos fundos."

A vereadora Neca Dalmoro apontou preocupação com os pacientes que precisam do atendimento. "A nossa luta é manter a porta aberta na emergência e maior humanização do atendimento. Claro que também é importante fazer um trabalho de conscientização para a mudança de hábitos na hora de buscar atendimento", comenta.

A sugestão do vereador Mozart Lopes é que o atendimento seja semelhante ao oferecido pelo Pronto Atendimento - que atende aos conveniados da Unimed.

O secretário da Saúde de Lajeado, Tovar Musskopf, lembrou que o contrato existente hoje, permite a segurança de ter pediatra e outras especialidades, além de exames diversos.

HBB

Também convidada a participar, a direção do Hospital Bruno Born, enviou ofício, informando que não teria interesse na votação do projeto da forma como está colocado. O hospital também teria enviado ofício ao prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, solicitando a retirada do projeto, o que não foi acatado. Sobre o não comparecimento a reunião da Comissão de Saúde, o Hospital Bruno Born afirma não concordar com os termos do contrato e emendas acrescidos pelos vereadores. A instituição havia solicitado a retirada do projeto da pauta de votação através do ofício nº 013/2018, ainda no dia 27 de abril de 2018 e, desta forma, não haveria motivo de participar deste encontro. A instituição de saúde informa ainda que irá cumprir integralmente o contrato que vigora até a data de 31 de março de 2019, tanto nas especialidades e serviços do acordo, pelo valor acordado. Portanto, a instituição mantém o serviço ora contratado.

Outra informação confirmada pelo HBB - e que havia sido citada durante a reunião da comissão de saúde - é sobre um projeto de remodelação do espaço físico da entrada do setor de emergência do HBB, que está em fase de avaliação. O novo modelo prevê acessos diferentes para quem buscar atendimento.

Conforme o titular as 16ª CRS, Ramon Zunchetti até o momento, a 16ª não recebeu nenhum documento oficial a respeito de um novo modelo de atendimento. "Entendo o posicionamento do HBB após o ocorrido, mas, precisamos considerar o aporte financeiro municipal, estadual e federal, recebido pela casa de saúde via Sistema Único de Saúde".

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