Política

Miguel Rossetto ouve o Vale

Pré-candidato do PT a governador cumpre agenda com lideranças regionais

Créditos: Matheus Aguilar
PRÉ-CANDIDATO: recebido por Miriam Volkmer Destefani, Miguel Rossetto (PT) fala sobre alguns de seus planos para o Estado - Matheus Aguilar

Lajeado - O pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Estado, Miguel Rossetto, esteve ontem em Lajeado. Ele participou de uma plenária regional, na Câmara de Vereadores, e visitou a sede de O Informativo do Vale, onde foi recebido pela gerente de mercado, Miriam Volkmer Destefani.

Rossetto veio ao município para ouvir lideranças que contribuam na construção do programa de governo. "Minha pré-candidatura é uma missão que recebo. Estou muito seguro e convencido de que podemos sair dessa situação. A capacidade produtiva e de trabalho da nossa gente é um ponto de arrancada para isso", destaca. Conforme o pré-candidato, equipes experientes trabalham nesta construção. "É uma vantagem de quem já foi governo duas vezes. Elas são formadas por pessoas que conhecem Fazenda, gastos, estrutura. É uma equipe que viveu, executou e pagou contas, que conhece o Estado em todas as áreas."

O petista faz críticas ao atual governo do Estado, em especial ao regime de recuperação fiscal proposto. "É um escândalo. Ele prorroga por três anos uma dívida com juros e correção monetária, sem nenhum ganho para nós, vende o patrimônio em uma condição aviltante e daqui a três anos voltamos a pagar com juros. Ficamos mais pobres, mais endividados. Diria que é uma irresponsabilidade fiscal", desabafa Rossetto. "O Rio Grande do Sul precisa voltar a crescer. Precisamos mudar o Brasil e o Rio Grande. São três anos de uma economia em recessão." 

Ideias para o Estado
Em sua passagem pela sede de O Informativo, Miguel Rossetto falou sobre alguns de seus planos para o Rio Grande do Sul, caso seja eleito. Solucionar quatro pontos são as metas do pré-candidato: retomar o crescimento econômico, melhorar arrecadação, controlar gastos e resolver o problema da dívida. "Quando trabalhamos com essas quatro condições, criamos a possibilidade de saída do Rio Grande do Sul desta crise econômica", diz. "Acredito que é possível tirar o Rio Grande da crise sem vender o Estado. Nossa capacidade de trabalho é muito forte. Precisamos liderar um projeto que deixe para traz essa agenda perdedora e que entre em uma agenda esperançosa para o Rio Grande do Sul."

Para ele, o combate à sonegação é ponto central para que se supere a crise fiscal. "Muita coisa tem que ser feita, em curto e médio prazo, para melhorar essa eficiência da arrecadação", declara. Evitar gastar recursos públicos de maneira equivocada deve ser uma responsabilidade. "O governo atual gasta mal. Controlar os gastos, as aquisições, representa um esforço permanente."

O petista comenta que é preciso encontrar uma solução definitiva para a dívida estadual. "Estamos há 20 anos pagando uma dívida mal negociada. A proposta do atual governo é ficar mais 30 anos pagando essa dívida", critica. Segundo Rossetto, o Supremo Tribunal Federal determinou, em novembro de 2016, que o governo federal é devedor dos Estados exportadores por conta dos prejuízos causados pela Lei Kandir. "Portanto, os Estados exportadores, como o Rio Grande do Sul, são credores, tem dinheiro a receber do governo federal. O Supremo determinou que até agosto deste ano o governo federal deve ter aprovado uma nova legislação que garanta isso. Esta é uma boa notícia, pois permite que o Rio Grande do Sul possa fazer um grande acerto de contas. O governo federal nos deve algo em torno do que nós devemos."

Educação - Para o pré-candidato do PT ao governo do Estado, recuperar a escola pública é fundamental para o desenvolvimento do Estado. "Sem isso, não temos futuro. Vamos recuperar as escolas a partir do pagamento em dia dos servidores. Isso é um tema central para mim", afirma Miguel Rossetto. 

Saúde - Ele acredita que é responsabilidade do Estado a saúde pública. "Hoje, são os municípios que, com seus orçamentos, sustentam a saúde pública no Rio Grande do Sul. Esta é uma função do Estado."

Pequenos produtores - A valorização dos pequenos produtores rurais também deve fazer parte da pauta de um futuro governo, caso o pré-candidato Miguel Rossetto seja eleito. "Temos que valorizar a Emater e as instituições de pesquisa e manter uma relação direta com as cooperativas, que são os grandes instrumentos de organização dessa atividade." A criação de um selo de alimento saudável está em análise pela equipe de Rossetto. "Precisamos assumir a identidade de um estado produtor de alimentos saudáveis. Há uma expectativa muito grande da sociedade para o consumo desses alimentos."

Segurança - De acordo com Miguel Rossetto, a situação de violência e criminalidade no Estado é intolerável. "Nos últimos três anos os roubos e assaltos dobraram e os assassinatos aumentaram em quase 40%. Isso é gravíssimo. Não é uma percepção. É o resultado da completa desorganização do sistema de segurança pública provocada pelo governo Sartori", frisa. 
Segundo o pré-candidato, atualmente são cinco mil brigadianos a menos do que o efetivo de 2012. "Isso é um estímulo para a criminalidade. Estamos trabalhando em um plano estadual de segurança pública, com políticas preventivas, com a boa escola pública, com trabalho, mas que se faz com polícias profissionalizadas e integradas. Vamos recuperar os efetivo das polícias e melhorar a capacidade de investigação", promete. "Temos que recuperar o ambiente de paz, serenidade e tranquilidade do povo gaúcho."

A revisão do sistema prisional é uma das pautas. "Vocês tem uma experiência importante de ressocialização no presídio feminino. Os presídios tem que ser espaços de contenção de criminosos e ressocialização. Hoje, os presídios do Rio Grande são espaços de organização do crime de uma forma geral", lamenta.

Vale do Taquari
Na visão do pré-candidato petista ao Palácio Piratini, Miguel Rossetto, o Vale do Taquari é uma potência econômica para o Estado e tem um papel importante de recuperar o crescimento. "Falando da tradição do leite, a região tem cooperativas exemplares. Não é razoável aceitar que 25 mil produtores de leite no Rio Grande do Sul tenham abandonado a atividade por conta de uma crise momentânea e conjuntural", diz. "A ausência de um governo estadual para atuar de forma ativa e cooperativa para evitar esse afastamento da cadeia leiteira foi gravíssimo. O Rio Grande do Sul deveria estar discutindo a ampliação da produção. Somos muito competitivos e estamos ocupando mercado nacional e também exportando. Essa deveria ser a agenda, e é a que eu quero fazer como governador", adianta. 

Rossetto comenta que melhorias de infraestrutura para a região são fundamentais para o desenvolvimento do Estado. "Uma das questões que está presente nos nossos estudos é a duplicação de Lajeado a Encantado da ERS-130 e ERS-129. Este é um eixo econômico muito importante da região", relata. "Temos que duplicar a 386 pelo menos até Tio Hugo e retomar o debate do modal hidroviário. O RS é o Estado, proporcionalmente a sua malha viária, com o menor número de estradas duplicadas. Temos que correr atrás disso. Significa segurança, qualidade e é decisivo para a nossa economia. Nossa economia exige uma estrutura competitiva e adequada. Isso significa ferrovias, hidrovias e melhorias na nossa malha rodoviária."

Valorização dos servidores
Para Miguel Rossetto, o resgate da autoestima se dá com o salário em dia. "Meu primeiro ato será pagar em dia o salário dos servidores e estabilizar esta relação. Quem trabalha e cumpre seu papel tem o direito sagrado de receber o seu salário", reforça. "Temos que garantir processo de qualificação permanente. Podemos ter um governo eficiente em todas as áreas e isto é uma meta. Queremos um governo que seja ágil e eficiente na medida em que respeita e profissionaliza seus servidores e seu trabalho junto a comunidade", destaca. "Não tenho nenhuma dúvida de que, se pagar em dia, mudamos o astral do Rio Grande."

Lula
Para Miguel Rossetto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa ficar livre para poder concorrer novamente ao cargo de presidente da República. "Eu acredito que o Lula é a única liderança capaz de estabilizar o Brasil hoje e fazer o país voltar a crescer e se desenvolver. Por isso nós insistimos, e vamos continuar trabalhando para a candidatura dele. Não vejo nenhuma outra liderança hoje capaz de estabilizar o Brasil na democracia e liderar uma recuperação econômica", frisa.

Saiba mais
Pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Estado, Miguel Rossetto é formado em Ciências Sociais e participou do movimento de fundação do PT, integrando a primeira executiva estadual da sigla. Em 1998, foi eleito vice-governador na chapa liderada por Olívio Dutra. Em 2003, no governo Lula, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Agrário, cargo que ocupou até 2006. Voltou ao ministério na gestão de Dilma Rousseff, em 2014. Em setembro daquele ano, fez parte da coordenação da campanha para reeleição da presidente. Em dezembro de 2014, teve o nome confirmado para ocupar a Secretaria-Geral da Presidência. Em outubro de 2015, foi transferido para o Ministério do Trabalho e Previdência Social, onde ficou até maio de 2016. Entre 2008 e março de 2014 foi presidente da Petrobras Combustível.

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