Polícia

Parceria pode garantir ensino no Presídio Estadual de Lajeado

Objetivo é iniciar alfabetização no segundo semestre, com alunos e voluntários da Univates

Créditos: Carolina Schmidt
Aulas: Adalberto Koch e Marlise Anderle destacam que alfabetização é uma demanda antiga para o presídio - Carolina Schmidt

Lajeado - O Presídio Estadual de Lajeado terá aulas de alfabetização. Conforme o diretor do Neeja Liberdade da casa prisional, Adalberto Koch, poderão participar detentos e detentas que desejam aprender. A cada três dias de aula, há remissão de um dia da pena. Além de aplicar o projeto na PEL, o objetivo também é de levá-lo à casa prisional de Arroio do Meio.

Koch observa que a parceria será feita com a Universidade do Vale do Taquari, por meio do Veredas da Linguagem. A Univates vai disponibilizar alunos e voluntários para ministrarem as aulas aos encarcerados. "Há muito tempo já havia comentado sobre a necessidade de ter alfabetização no presídio. Muitos têm a escolaridade incompleta com dificuldade na escrita e leitura. No Estado, esse número chega em 60%. Para nós, esse suporte é muito importante."

A previsão é de que as atividades sejam iniciadas no segundo semestre, de acordo com a disponibilidade de horários dos voluntários. Koch também destaca que muitos presos já mostraram o interesse em aprender no tempo livre que possuem na casa prisional. "Isso traz outra perspectiva. Além de professores, somos pais, mães e psicólogos dos que estão aqui. Muitos se abrem e dizem que querem mudar de vida quando saírem do presídio. O estudo é uma forma de crescer na vida." Com o projeto, a expectativa é de que eles possam concluir o Ensino Fundamental e Médio em até um ano. 


A professora Marlise Anderle, que tem experiência de 32 anos, a alfabetização é essencial no presídio. Para ela, poder participar do Neeja Liberdade é uma oportunidade de doação. "Aqui tomamos conhecimento de várias realidades. Além de ensinarmos, aprendemos com eles. Incentivamos eles a estudarem e seguirem em frente. Acredito que com a educação a reabilitação seja possível."

Aprendizagem
Dona Ana (nome fictício) tem 55 anos e cumpre pena no Presídio Estadual de Lajeado desde o ano passado. Natural do Paraguai, diz que deseja aprender a escrever na Língua Portuguesa. Participar das aulas será uma oportunidade para também aprimorar o vocabulário do idioma daqui. "Assim, poderei também ler livros em português. Acho que sempre é bom aprender." Quando ganhar a liberdade, pretende morar no Brasil. Ela tem quatro filhos e três netos que residem no Paraguai.

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