Polícia

Número de assassinatos na região aumenta 32,4%

Estatística oficial, no entanto, indica acréscimo de 10% nos casos, em relação ao primeiro semestre do ano passado

Créditos: Natalia Nissen
- Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Vale do Taquari - Os indicadores de violência na região continuam na contramão das estatísticas estaduais. A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) divulgou ontem o relatório das ocorrências registradas nos municípios gaúchos no primeiro semestre deste ano. Enquanto o Estado anuncia queda de 35,6% nos latrocínios e 25,7% nos homicídios em relação ao mesmo período no ano passado, o Vale do Taquari registra aumento de 32,4% em casos de homicídios e manutenção do número de latrocínios. O levantamento considera 17 crimes, aqueles de maior potencial ofensivo contra a vida e patrimônio. 

Em âmbito estadual, o único indicador que teve mais registros é o de estupro de mulheres, com aumento de 3,9%. A maior queda foi nas ocorrências de roubo de usuários de transporte coletivo, com diminuição de 55,9%.

Números que não fecham

O levantamento diverge em alguns números registrados no Vale do Taquari e nem sempre considera como homicídios os casos de suspeitos mortos em confronto com a polícia, por exemplo. Seguindo a estatística oficial, o aumento na região é de 10% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Em Lajeado, 11 pessoas foram assassinadas entre janeiro e junho deste ano, sendo duas em confronto. No relatório da SSP, o município contabiliza dez mortos. Em Encantado, foram sete óbitos, sendo três em confronto. O número oficial aponta apenas quatro vítimas. Já em Muçum, foram três mortes. Duas delas ocorreram durante as buscas a um grupo que atacou uma agência bancária. O relatório, no entanto, mostra apenas um caso. A mesma situação ocorre em Bom Retiro do Sul, com dois assassinatos e somente um considerado na estatística oficial.

A SSP informou que a diferença nas informações divulgadas pelo Estado em relação àquelas das Delegacias de Polícia locais pode estar vinculada à migração de tipificação de crime, de acordo com a evolução da investigação. "Exemplo: um caso pode iniciar como suicídio, passar para homicídio e no final ser descoberto que foi um latrocínio." O órgão esclarece, ainda, que os dados são oriundos das instituições vinculadas à Segurança Pública, mas que os números não são comentados ou referendados pela SSP.

Nos municípios em que houve feminicídios, os números também divergem. O levantamento abrange, na estatística de homicídio, um caso deste tipo em Cruzeiro do Sul. Já em Santa Clara do Sul e Boqueirão do Leão, a mulher e duas meninas mortas não estão no relatório de homicídio. A SSP ainda não divulgou os números referentes à violência doméstica e de gênero no Estado, que pode explicar a disparidade dos dados.

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