Mulheres que Transformam

Maria Beatriz Rota

Receita de conforto e esperança

Créditos: Gigliola Casagrande
CUIDADO: um toque na mão, um sorriso no rosto e a mensagem de esperança de Maria Beatriz Rota - Lidiane Mallmann

Lajeado - Uma batidinha, a porta se abre e um rosto se ilumina em um dos muitos quartos do setor H5 do Hospital Bruno Born, em Lajeado. Quem chega é Maria Beatriz Rota, com seu jeito especial de lidar com quem luta contra a doença. Pessoas como seu Nestor Arezi, de Encantado, são foco da dedicação da enfermeira de 59 anos. Um grande sorriso, um toque na mão e as palavras de incentivo - e de esperança - viram um grande remédio. "É preciso olhar nos olhos de quem tu vais atender. Confortar e levantar o astral de quem está doente. E se colocar no lugar do outro, pensar que poderia ser você", destaca a veterana, que tem 31 anos de casa - e de profissão. Não dá para esquecer que a dor aumenta a fragilidade de quem adoece.

Bea, como é carinhosamente chamada, ressalta que é fundamental fazer a medicação e realizar os procedimentos que o paciente precisa, mas, também crucial é dar uma palavra de conforto, um carinho, um sorriso. "Isso é muito importante para sua recuperação. Eu amo o que eu faço e me sinto muito feliz em melhorar a qualidade de vida. É muito gratificante", observa a profissional que age com espontaneidade. E procura ser um exemplo para inspirar os outros. 

Beatriz ressalta a evolução da medicina, mas alerta que o paciente precisa fazer a sua parte. "Ele tem que acreditar no tratamento e em sua recuperação. Por isso, é importante que as pessoas com quem tem contato lhe passem força e segurança. Tem que ter fé e esperança." Na prática, isso funciona. "Acredito que consigo passar a confiança que ele precisa para se ajudar também." A presença da enfermeira é mais que uma injeção de ânimo, é a certeza de que tudo vai dar certo. 


Carinho especial
Com voz calma e sorriso no rosto, Maria Beatriz Rota conta que esse contato especial com os pacientes vem de longa data. "É amor pelo que se faz", resume. Tudo isso vem de berço. A roca-salense teve uma formação de muito carinho e de respeito, em tradicional família da região alta. A mãe, Ângela, igualmente enfermeira, trabalhou 38 anos e meio no hospital de Roca Sales. O pai, vereador mais votado por então Estrela, foi o primeiro e o terceiro prefeito. A esposa também assumiu uma cadeira no Legislativo. 

É nesse exemplo de casa que a profissional inspira-se para contagiar quem precisa de uma palavra de esperança. E busca a força para encarar um trabalho que exige muito. Ela lida com pacientes com bastante complexidade, na unidade que tem capacidade para 36 enfermos. São casos como os clínicos, cirúrgicos, leucemias e de quimioterapias. Bea já trabalhou quatro anos nas UTIs adulto, pediátrica, além da maternidade, centro obstétrico, berçário, H5 e H6. Toda essa experiência a levou, em determinado momento, à orientação de acadêmicos de Enfermagem nas universidades Univates e Unisc.


Os desafios atuais são nos quartos e quadros de cada paciente. "É tudo muito gratificante, uma missão de servir, uma opção de ajudar ao próximo." Bea já encaminhou sua aposentadoria, mas não acredita ser capaz de parar de trabalhar. Por enquanto, seu Nestor e a esposa Eva agradecem. Com um abraço apertado e a gratidão a quem deixa a esperança a cada porta que fecha. 

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