Mulheres que Transformam

Maria Delci Klunck

Coração aberto para distribuir amor

Créditos: Rita de Cássia
Maria atuou como professora por 30 anos - Lidiane Mallmann

Lajeado -Ela cresceu vendo seus avós e seus pais atuarem nas comunidades e acolhendo pessoas em suas casas. Assim como a educação, a solidariedade também vem de berço e foram determinantes para que a atual patroa do CTG Querência da Amizade, Maria Delci Klunck (56) - ou, Delci, como é chamada - se tornasse quem ela é hoje. A professora aposentada que relutou a deixar a profissão soube transferir o carinho pela vocação para outros segmentos. Ela não gosta de falar de si e prefere dividir as conquistas com todos a sua volta, a começar pela família. Casada com Otomar Klunck, tem cinco filhos, dois biológicos e três que acolheu em seu lar; além de um neto que chegou para completar sua felicidade. Com voz firme, mas tranquila, e um olhar determinado, explica que o segredo para viver em harmonia com tantas pessoas distintas numa mesma casa é entender as características de cada uma e tratá-las conforme suas diferenças, sem julgamentos. Seja em casa ou nas diversas frentes nas quais entra de coração aberto para distribuir amor, Delci, não quer méritos pessoais. Ela quer mostrar resultados coletivos.

Uma vida pela educação

Maria Delci Klunck é formada em Letras pela Univates, pós-graduada em Pedagogia Gestora e Ciências da Religião e atuou como professora durante 30 anos. Começou como alfabetizadora, trabalhou com crianças com deficiência, ensinos Fundamental e Médio, além de cargos diretivos. Sempre esteve envolvida nos projetos extraclasse, conselho escolar e círculo de pais e mestres. Mesmo trabalhando fora e criando os filhos, também nunca deixou de colaborar com a Comunidade Católica. Aliás, a religião anda lado a lado com ela. "A tudo o que considero importante para o bem comum costumo dar minha parcela." Ela ainda integra a Associação Cultural de Bom Retiro do Sul e os conselhos Municipal de Cultura, Paroquial e Estadual de Ensino Religioso, Seccional 3ª CRE - Estrela, entre outras atividades. "Para termos uma convivência social saudável, não é possível desvincular a religião da sociedade, porque convivemos com as pessoas das mais diferentes crenças em todos os segmentos da sociedade. Se a gente viver numa que vai sendo dividida, não há progresso e desenvolvimento humano, por isso, considero importante o ensino religioso, sempre com respeito a todas as religiões."

Família

O significado de família para Delci é oferecer colo e proteção, independentemente dos filhos serem biológicos ou não. O instinto materno forjado nos exemplos da avó e da mãe fez a família formada por quatro pessoas se transformar em um grupo de sete. Primeiro chegaram os filhos do casal, uma jovem de 15 anos e um menino de 5. Na sequência, os acolhidos pelo coração. Primeiro, uma menina de 5 anos; depois um guri de 12, e a seguir, uma adolescente de 17. Foram vários anos de conivência até cada um seguir sua vida. Hoje, apenas um deles vive com os pais. "Eu trago isso de família. Meus avós têm histórico de adoção. E minha mãe, depois que eu saí de casa, ajudou a criar uma moça. Cresci com esse espírito fraterno", explica. Delci recorda que houve momentos em que precisou da ajuda da comunidade, que doava roupas e calçados. E das vezes em que preferiu preparar as refeições em casa, pois ir a um restaurante com uma família de sete pessoas não cabia no orçamento do casal. O apoio do esposo, Otomar, foi essencial para que tudo funcionasse. "Ele é um grande parceiro, tem espírito solidário e sempre tomamos as decisões em grupo. Não seria possível fazer nada disso sozinha."

Patroa

Estar à frente de um centro de tradições gaúchas mostra a força feminina que sempre existiu em Maria Delci Klunck. Ela aceitou ser patroa porque acredita na importância do CTG para o desenvolvimento de Bom Retiro do Sul. A ligação com a entidade - que completa 60 anos em 12 de setembro - começou com um trabalho frente ao departamento artístico das invernadas e atividades de bastidores que, aos poucos, foram ampliadas. "Aqui encontramos um polo transformador, onde se valoriza a cultura, o conhecimento e a família. Onde crianças e jovens desenvolvem suas habilidades artístico-culturais, psicomotoras, relacionamento interpessoal, num ambiente que preza pelos valores como disciplina, respeito e boa convivência." Delci acredita que, apesar das dificuldades, manter uma entidade assim necessita envolvimento e comprometimento de um grande número de pessoas. E embora as mulheres estejam conquistando cada vez mais espaços antes quase exclusivos dos homens, o desafio é sempre grande. A bom-retirense tira de letra e passa por cima do que possa representar alguma resistência masculina. "Vamos em frente. Quando assumimos algo, devemos fazer o melhor." A gente assina embaixo...

 

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