Mulheres que Transformam

Marta Verena Lucian

A pedra e o caminho

Créditos: Redação
À VONTADE: na natureza exuberante de Tamanduá, Marta Verena Lucian encontrou um propósito de vida: ajudar as pessoas a se reinventar - Alício de Assunção

Aos 17 anos, quando deixou a casa dos pais, Marco Lino e Vilce Lucian, no Distrito de Tamanduá, Marta Verena Lucian (58) queria estudar, formar família e fazer carreira. Ela chegou lá. Aposentou-se, em 2010, como servidora do Tribunal de Justiça, e tem na filha Julia (28) sua maior alegria.

Sonhos conquistados, Marta queria mais. Algo para compartilhar com as pessoas, que pudesse transformar vidas. "Durante estes muitos anos me dediquei à busca pelo desenvolvimento pessoal em diversos níveis. Isso me levou a conhecer e estudar diversas áreas de terapias holísticas, participar de vários grupos espirituais e de autoconhecimento, até encontrar o caminho da alquimia", explica a terapeuta que hoje tem 18 anos de experiência.

Desta busca e deste encontro, surgiu a vontade de criar um espaço para unir a gente e o meio. "Daí veio a percepção do quanto o distanciamento da natureza faz com que as pessoas não encontrem mais dentro de si os mecanismos de recuperação e autorregeneração, sempre que estão de frente com problemas físicos, mentais, emocionais e espirituais. A velocidade de tudo ao redor dificulta o tempo para si, se olhar, se conhecer", explica.

Durante estes anos, Marta alimentou esta ideia. De volta a Marques de Souza, começaram as buscas pelo local ideal para tirar o sonho do papel, rumo à transformação. Neste caso, a pedra não estava no meio do caminho...

 
Alquimia e sustentabilidade

Cachoeiras e cascata rodeadas de mata. A área perfeita para os planos de Marta Lucian estava em Tamanduá, sua terra natal. "A relação com a natureza foi sempre presente na minha vida, mas, reavivar este contato mais direto justamente onde passei toda a minha infância, trouxe um sentimento de gratidão, pertencimento e plenitude", confessa, emocionada.

Há cinco anos, o lugar começou a tomar forma. E precisava ficar o mais intocado possível, para permitir uma vivência junto à natureza pura. Uma trilha e sete pontos ao longo dela, até a cascata, sem destruir, cortar, violar. "Tudo foi feito com profundo respeito por este lugar que se tornou sagrado. Criamos um herbário e horta, instalamos um banheiro ecológico, plantamos mais árvores, mantivemos taipas e antiga estrutura de casa. Resgatamos uma fonte de água que abastecia a casa de antigos moradores, preservamos e aumentamos a mata ciliar ao longo do Arroio Tamanduá e estamos trabalhando na recuperação dos solos", destaca Marta

A sede, quase concluída, seguiu os preceitos da alquimia e sustentabilidade. Em abril de 2015, começaram as trilha e vivências na mata, onde as pessoas buscavam experiências para ficar em silêncio, meditar, se conhecer, caminhar, se integrar à natureza.

Saía do papel, e do coração de Marta, o Pedra d'Mim Centro Ecológico. O foco? Trabalhar pela educação, que a terapeuta considera a base para a evolução e transformação individual e da sociedade. Por isso, o lugar recebe muitas escolas para vivências especiais com professores e alunos. "Perfeitamente integrado à comunidade de Tamanduá, o espaço proporciona o que o nome propõe: o encontro com a sua pedra fundamental, com o que é o mais importante em si mesmo: uma conexão com sua essência, sua alma."

 
Espiritualidade

A busca por autoconhecimento e o olhar sobre a própria espiritualidade nunca se mostraram tão importantes como agora. Para Marta Lucian. A meditação, a introspecção, a filosofia são movimentos que se fortalecem e possibilitam a evolução e o crescimento pessoal e, em decorrência, dos grupos e da sociedade. "A grande mudança possível é transformar-se. Todas as outras serão consequência. A minha transformação pessoal me possibilitou sonhar e realizar o Pedra d'Mim, porque primeiro precisei encontrar a minha pedra, meu propósito de vida, o que me faz feliz, me realiza e, assim, poder ajudar as pessoas neste caminho."

Suas palavras se traduzem no modo como as vivências em meio ao verde marcam as pessoas. Elas saem de lá sentindo-se diferentes. Lavam a alma e o coração neste paraíso ecológico incrustado no interior de Marques de Souza. E materializam o sonho de Marta, que prefere citar Ghandi: "Seja você a mudança que você quer ver no mundo".

 

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