Mulheres que Transformam

Beatriz Provin

Dar e receber amor

Créditos: Naiâne Jagnow
- Lidiane Mallmann

Pedagoga, ela foi professora, diretora de escola, fez as vezes de empresária e queria ser advogada, mas acabou não terminando a faculdade. Nas reviravoltas da vida, Beatriz Provin (67) hoje é a defensora e mestra (e amiga) de mais de dois mil idosos carentes de amor e de atenção, atendidos pelo Projeto Conviver, em Lajeado. Ela trabalha incansavelmente de segunda à segunda. Pela manhã, atende quem precisa em seu gabinete, na Casa de Cultura. À tarde, visita os 22 grupos da terceira idade e leva palestras de saúde e bem-estar, música e exercícios físicos. E engana-se quem pensa que, nos fins de semana, ela descansa. "Tem as festas e os bailes, e eu acompanho tudo. Estou sempre com eles."

Esta atuação começou em 2000, a convite da então primeira-dama Iracema Schumacher. "Quando ela me convidou, pensei: 'Será que vou dar conta?'. Daqui a pouco comecei a ver o que era, e o projeto crescia cada vez mais", relembra. Ela liderou o Conviver até 2010 e voltou com o atual governo de Lajeado. A criação dos grupos de convivência foi importante para desenvolver o bem-estar entre os idosos. "Eles têm objetivos juntos, isso é importantíssimo. Querem aproveitar tudo o que a vida tem de bom para oferecer." 

Se um velhinho tiver um problema, com Beatriz ele busca a solução. "Aqui no gabinete, chegam com todo o tipo de dificuldade, seja para um encaminhamento com especialistas ou problemas amorosos. A gente sempre dá um jeitinho de ajudar." Aliás, ela se diz uma ótima conselheira. "Às vezes, o que a pessoa mais precisa é de alguém que a escute e dê uma direção", conta. 

A motivação para tanta dedicação? O amor. "Eu gosto muito do que eu faço. Pode até ser exaustivo. Às vezes, chego tarde da noite em casa, sem nenhuma energia. Porém, a recompensa em carinho e amor motiva a melhorar cada vez mais", explica ela, sorridente.

 

A volta por cima 

Por onde passa, Beatriz distribui sorrisos. "Eu sou uma pessoa alto astral. Estou sempre de bem com a vida. Gosto muito de ajudar os outros. Lógica que, às vezes, temos os abalos na vida, mas sempre dei a volta por cima", conta. Como em uma das mais difíceis, como a perda do marido, quando a filha tinha apenas 4 anos e o filho, 13. "Eu fui o pai e a mãe deles." Assim, Beatriz lutou para cuidar das crianças, desempenhar sua profissão de diretora e tocar a firma de tratores e implementos agrícolas que o esposo deixou. "Eu fiquei com a empresa, com a escola e com as crianças pequenas. Foi uma batalha, mas consegui conciliar", desabafa. Mais tarde o filho mais velho a ajudou nos negócios, até que decidiram seguir a vida de outra maneira. 

A convivência com os idosos foi o que ajudou a restaurar a alegria de Beatriz. "Na época, não fazia muito tempo que eu era viúva. Então, foi um trabalho que me fez levantar, me tirar no chão. Por isso, gosto tanto do que faço - porque tanto me ajudaram quanto eu os ajudei."

 

De um extremo a outro

Antes da experiência com os velhinhos, Beatriz lidava com crianças. Durante 21 anos, atuou na Escola Estadual Otília Corrêa de Lima, no Bairro São Cristóvão. Foi diretora durante 18 anos e, antes disso, alfabetizadora. "Minha formação é em Pedagogia." Agora, nas ruas, ela reencontra ex-alunos que viu crescer. "Eles sempre me cumprimentam, eu marquei a infância de muitos como diretora." Seja crianças ou idosos, Beatriz gosta é de trabalhar com pessoas. "Antes com os pequenos, agora com os mais velhos. E os dois foram ótimos."

 

Idade não é um empecilho para seguir os sonhos

Beatriz se sente agradecida por tudo que já alcançou, mas não pretende parar. "A vida é um presente dado por Deus e eu sou muito grata por tudo que aconteceu comigo. Pretendo continuar por muito anos fazendo isso que eu faço. Se depender de mim eu não paro nunca. Eu tenho muito pique para ficar em casa", brinca. Toda essa energia é usada também para lutar pelos seus ideais e sonhos. "Eu fiz vestibular para Direito. Cheguei a fazer quatro períodos. Depois eu adoeci e tive que parar, mas o meu objetivo ainda é terminar", afirma, com determinação nas palavras e o olhar firme. Para ajudar neste batalha, ela conta com um grande aliado: os livros. "Tenho paixão por ler."


"A vida é um presente dado por Deus e eu sou muito grata por tudo que aconteceu comigo. Pretendo continuar por muito anos fazendo isso que eu faço."

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