Geral

Higienizadora devolve R$ 8 mil encontrados no sofá do Caps

Aposentada Neli Terezinha Primaz é exemplo de honestidade

Créditos: Naiâne Jagnow
HONESTIDADE: Neli Terezinha Primaz sentada no sofá em que encontrou o dinheiro - Naiâne Jagnow

Lajeado - A rotina de Neli Terezinha Primaz (65) é limpar e deixar organizado o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps IJ), no Centro. Na segunda-feira da semana passada algo atípico aconteceu enquanto trabalhava. Ao arrumar os sofás, ela encontrou, em uma sacola plástica, cerca de R$ 8 mil. Neli não pensou duas vezes e foi procurar seu superior para que o dinheiro fosse devolvido.

A higienizadora ficou assustada com a quantia, algo que jamais esperava encontrar em seu local de trabalho. "Eu pensei que fosse um pedacinho de bolo que estava na sacola. Ao abrir, vi que era dinheiro em espécie. Eram notas de R$ 100 e R$ 50. Eu fiquei atordoada", conta. A primeira reação dela foi correr e entregar o dinheiro para o coordenador do Caps Infanto Juvenil, Cassiano Dannenburg. A dona, uma mulher que tinha ido até a instituição acompanhar um adolescente, não demorou dez minutos para sentir a falta do dinheiro e voltar. Aliás, essa era uma das grandes preocupações de Neli: devolver a quantia a quem realmente pertencesse. "Aqui tem uma grande circulação de pessoas e dinheiro não tem nome. Estou feliz que encontramos a pessoa certa", afirma.

A honestidade da higienizadora veio dos exemplos de casa. "Isso vem de berço. Meu pai sempre falou 'mesmo que seja uma bergamota, sem autorização do dono não se pega'". O conselho do pai foi o que ela colocou em prática, sem hesitar. "Para eu conseguir esse montante que achei preciso trabalhar uns quatro meses. Mas, mesmo assim, não fiquei tentada em não devolver", esclarece. Mais do que ninguém, ela sabe como o dinheiro pode fazer falta. "Anos atrás, quando eu tinha bem mais dificuldade na vida, eu perdi o que tinha separado para o remédio."

Agora, Neli continua com o sonho de conseguir R$ 8 mil, mas que sejam dela e adquiridos de forma honesta. "Eu jogo na Tele Sena, mas eu não preciso ganhar muito. Com R$ 10 mil já estava tudo resolvido", brinca. Se conseguisse, arrumaria a sua casa, no Bairro Jardim do Cedro, e investiria em sua saúde. Enquanto a sorte não bate, ela permanece no trabalho. "Eu sou aposentada, mas continuo na ativa, porque a aposentadoria é pequena."

Comentários

VEJA TAMBÉM...