Esporte

Um Mundial como utopia

Crianças do projeto social Ariel buscam apoio para concretizar sonho de disputar o maior campeonato de jiu-jitsu do planeta

Créditos: Diogo Botti
- Lidiane Mallmann

Lajeado - Determinação, raça, mas acima de tudo o sonho de vencer na vida. Liderados pelo professor Fernando Teixeira, da Alliance Jiu-Jitsu Team, crianças do Bairro Santo Antônio pisam no tatame da academia duas vezes por semana, atrás de disciplina e autoconhecimento, dentro do projeto social Ariel.

Instigados a buscar sempre o melhor de si, o programa prima pelo desenvolvimento humano e como atletas. Com vários campeões gaúchos, apesar do curto período de existência do projeto, a meta de Teixeira é conseguir levar, pelo menos três desses meninos para disputa do Mundial de Jiu-Jitsu que acontece em São Paulo entre os dias 4 e 9 de julho. "Sabemos das dificuldades mas não podemos deixar de acreditar. Hoje para viabilizar uma inscrição precisaríamos de R$ 1,8 mil. Nesse valor, estão inclusos a estadia e o transporte, além da participação na competição. Considerando tudo que é gasto em outras modalidades, como o futebol, não é um valor extraordinário. Claro que tem todo um contexto social e, levando em consideração a realidade do país, ter acesso a essa quantia seria algo mágico", comenta o professor, que tem até o dia 20 de junho para tentar arrecadar a quantia. "Lutamos não só pelo dinheiro de cada inscrição, estamos na briga por elevar a autoestima desses alunos além de proporcionar algo único no cotidiano deles e que possa servir de gatilho para uma vida mais justa seja ela, dentro ou fora dos tatames."

O projeto
Atualmente com mais de dez alunos, a iniciativa nasceu em novembro de 2017 para crianças e jovens do Residencial Novo Tempo, do Santo Antônio. Porém por razões de estrutura e de acontecimentos dentro da própria comunidade, acabou sendo realocado na academia do professor, no centro. "Através de uma assistente social o projeto veio à tona no final do último ano. No início cinco crianças treinavam. Mas com o decorrer das aulas esse número foi crescendo o que acabou fomentando situações que não compactuamos. Assim como para alunos particulares, a disciplina e o respeito vêm em primeiro lugar. Infelizmente muitas crianças acabaram misturando os treinos com problemas particulares e isso causou transtornos de ordem social fora do período de treinos", explica Teixeira, que integra a Associação Lajeadense de Apoio ao Esporte, Lazer e Cultura, mantenedora do projeto Ariel. Entidade essa que é mantida pela academia do professor.

Mãe de lutador
O cotidiano de luta fica nítido no semblante de Ana Paula do Nascimento. Aos 33 anos e com três filhos no projeto, a mãe do Gabriel, Pedro e Cristiano é uma das que fazem a iniciativa se manter firme dentro da realidade nem tão fácil. "A gente faz o sacrifício porque vale a pena. São muitas crianças para pouco apoio. Quero me orgulhar deles daqui alguns anos. Quero ser uma mãe que, ao invés de arrumar sacola pra levar no presídio, organiza as malas para mais uma competição. Quero que, ao invés dos meus filhos andarem de viatura, que andem no caminhão do Corpo de Bombeiros chegando de uma grande vitória. Desejo que o único envolvimento com a justiça seja no tatame na luta com advogados e promotores. Quero que, nas páginas do jornal, o nome deles não saia na editoria policial e sim esporte: 'Menino do Bairro Santo António é campeão mundial de jiu-jitsu'. Nos pulsos não quero algemas, mas, no pescoço, uma linda medalha", relata, com lágrimas nos olhos.

EM FAMÍLIA: Ana Paula do Nascimento ao lado dos filhos Gabriel, Pedro e Cristiano

Serviço
Mundial de Jiu-Jitsu
São Paulo, entre os dias 4 e 9 de julho
Arrecadação: R$ 1,8 mil por aluno
Contato: facebook/alliance.nando

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