Economia

O inevitável impacto econômico para o Vale do Taquari

Uma das grandes consequências será sentida no bolso dos consumidores Vale do Taquari

Créditos: Rita de Cássia
- Arquivo/O Informativo do Vale

Vale do Taquari - As consequências do desabastecimento, provocado pela manifestação dos caminhoneiros, gerou inúmeras perdas para a produção do Vale do Taquari. Os prejuízos atingiram vários segmentos da sociedade, e o impacto será sentido também no bolso dos consumidores. Conforme a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, o número exato e total ainda não podem ser mensurados, mas só a indústria deixou de faturar R$ 40 milhões por dia; e no setor leiteiro, apenas nos últimos três dias, pelo menos R$ 3 milhões. "A grande consequência disso é que o custo de tudo o que consumimos ficará mais caro", explica. Segundo Cíntia, foi provocado na região que é produtora de alimentos, um colapso na base - mesmo sem a intenção inicial, porque começou numa outra perspectiva. "A nossa região traz grãos e insumos de outras regiões, processa aqui e vende a maior parte para as demais. Então, depende da logística, tanto para a entrada desses insumos quanto para a venda posterior. Esse processo ficou comprometido. Vamos precisar de pelo menos uma semana ou dez dias para voltar ao normal", afirma.

O que foi perdido não tem volta, como por exemplo, o produto vivo: pintinhos, matrizes e outros. "Não tem dimensão do que isso representa. Mas, esses números vão aparecer", explica Cíntia, referindo-se à produção de frango e suíno. Já em relação ao leite, 950 mil litros estavam deixando de ser recolhidos por dia. "O impacto é grande para a região porque um terço do processamento do leite do Estado está aqui no Vale, 28% da produção de frango e 15% de suínos também. A retomada já começou, mas os preços vão aumentar. Não tem mágica." As pautas dos caminhoneiros e das empresas foram atendidas. Mas surgiram outros pedidos que precisam de tempo para ser resolvidos. "Há toda uma história que está errada e que não é possível resolver em dez dias", completa.

Entidades representativas
O Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Taquari (Consisa), Colegiado de Desenvolvimento Territorial (Codeter), STRs e Emater inicialmente apoiaram as manifestações, por entenderem as reivindicações e por considerar o movimento legítimo iniciado pelos caminhoneiros. No entanto, o efeito do desabastecimento gerou graves consequências. "Por isso, o alerta à sociedade. Todas as pautas legítimas dos movimentos tiveram nosso apoio, mas houve a necessidade de avaliar os contextos sanitário e econômico das principais cadeias produtivas do Vale do Taquari. Fomos conversar com organizadores nos pontos das manifestações. Em alguns, elas avançaram, em outras não. Todos temos o mesmo objetivo, queremos o melhor para nossa sociedade, por isso também é nossa responsabilidade alertar e agir acerca do que ocorre com nossos produtores rurais neste momento", afirma a presidente do Codevat Cíntia Agostini.

Números do Codevat
O Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) divulgou dados preocupantes em se tratando da produção do Vale do Taquari. A indústria da região deixou de faturar R$ 40 milhões por dia - considerando o trabalho de 50% da capacidade de produção. Especificamente no setor agropecuário, são R$ 222 milhões em suínos (custo de produção) que estão no campo; R$ 294 milhões em frangos (custo de produção); R$ 1 milhão por dia de leite (custo de produção) que não foram processados.

 

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