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Conversando com os mestres

?Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos.?


O suíço Carl Gustav Jung entrou para a história como o grande desafeto de Freud, o pai da psicanálise. O que poucos sabem é que durante alguns anos, ambos foram grandes amigos e Freud que precisava de um jovem não judeu para difundir sua teoria, viu nele o candidato ideal.

Mais jovem e diante de alguém já reconhecido, Jung aceitou de certa forma o encargo, mas a verdade é que ele já possuía uma teoria própria e de certa forma muito mais abrangente que a própria teoria Freudiana.

Ao final, o modelo de libido de Freud, muito centrado na questão sexual foi o gatilho da ruptura entre os dois grandes teóricos.

Para Jung, a discordância era apenas teórica, mas para Freud, foi uma decepção pessoal.

Dito isso faremos dez perguntas a Jung que talvez possam ajudar muitos a se entender melhor ou quem sabe, compreender melhor o mundo que nos cerca:

Professor, O Destino é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar. Somos realmente apenas joguetes dos deuses?

"Até que você torne o inconsciente em consciente, o inconsciente irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino." (...) "Acontece que as pessoas vão fazer qualquer coisa, não importa o quão absurdo, para evitar olharem para suas próprias almas.(...) Isso é um grande erro pois "Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para o seu próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta." (...) No entanto, "Você não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim ao tornar a escuridão consciente. Porém, esse procedimento é desagradável, portando, não popular."

Olhando para o mundo de hoje o Sr. acha que uma terceira guerra mundial é possível?

"Uma coisa é certa, uma grande mudança de nossa atitude psicológica é iminente. Isso é certo. Precisamos de mais psicologia. Precisamos de mais entendimento sobre a natureza humana, pois o único perigo real existente é o próprio homem. Ele é o grande perigo e lamentavelmente não temos consciência disso. Sabemos muito pouco sobre o homem. Sua psique deveria ser estudada, pois somos a origem de todo o mal vindouro." (...) Sempre é bom lembrar que "O pêndulo da mente oscila entre sentido e absurdo, não entre certo e errado."

O Sr. Concorda com a famosa frase de Sartre de que " O Inferno são os Outros"?

"Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos."(...), afinal "Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas das outras pessoas."

O Sr. escreveu coisas sobre a morte que me surpreenderam um pouco. Lembro-me que o Sr. disse que a morte é psicologicamente tão importante quanto o nascimento, que é parte integrante da vida. Mas ela não pode ser como o nascimento se é o fim. Ou pode?

"Certo, se ela for um fim, mas não estamos muito certos desse fim. Porque existem as faculdades especiais da psique que não é inteiramente limitada pelo espaço e tempo. Você pode ter sonhos, ou ver doses do futuro. Pode ver mais longe do que as esquinas. Isso mostra que ao menos algumas partes da psique não dependem de limites. E daí se a psique não é obrigada a viver dentro do tempo e espaço? Isso indica uma continuação prática da vida. Uma espécie de existência psíquica além do tempo e espaço."

O Sr. acredita que a morte é um fim?

"Bem, não posso dizer. A palavra acreditar é algo difícil para mim. Eu não acredito. Eu preciso de uma razão para uma dada hipótese. Eu sei uma determinada coisa e então eu a sei. Não preciso acreditar nela. Não me permito acreditar por acreditar. Eu não posso acreditar, mas com suficientes razões para uma hipótese eu a aceitarei naturalmente."


Marcos Frank

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