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O futuro que bate a nossa porta

Lula, o principal político da história recente do país, está preso. Zé Dirceu está retornando a prisão e Palocci esforça-se para contar algo a Justiça que o liberte das grades


"É muito mais fácil corromper do que persuadir". Socrates (469 aC - 399 aC)

Há exatos 13 anos escrevi o que segue adiante: "O Brasil seguiu como sempre, quem era pobre, pobre ficou, quem paga impostos um pouco mais pagou. Os bancos faturaram como nunca e os costumes políticos, para tristeza de quem esperava menos toma lá, dá cá, não mudaram. O grande marco até o momento de um governante que tantas mudanças vendeu é um avião, um gigantesco avião, caro e grande como um elefante".

De lá para cá muita coisa aconteceu. Lula, o principal político da história recente do país, está preso. Zé Dirceu está retornando a prisão e Palocci esforça-se para contar algo a Justiça que o liberte das grades.

Dilma segue como um daqueles fantasmas manjados que ninguém mais da importância ainda que, de vez em quando, tente arrastar alguma corrente.

Parceiro dos governos petistas, o MDB está cada vez mais tendo expostas as suas falcatruas. E figuras nem tão periféricas como Eduardo Cunha, Cabral e Geddel há muito amargam o ostracismo de uma cela.

Entre os tucanos, Aécio há muito já é uma figura incômoda, e Serra perdeu as penas após as denúncias de recebimento de verbas irregulares. Alckmin deixou Dória para trás, mas não se sabe se sobreviverá politicamente ao escrutínio de seus governos. Se sobreviver, talvez sua notória falta de carisma se encarregue de fazer o resto do serviço de afastá-lo da presidência.

Ciro continua o mesmo menino maluquinho e Marina, tal qual um cometa estranhamente regular, aparece a cada quatro anos para pedir votos.

Boulos e Manuela irão se encarregar de manter o discurso de extrema esquerda e atacar os de direita, enquanto Álvaro Dias é uma incógnita.

Lula mantém o discurso de quem irá concorrer ainda que a lei não permita. Mas todos nós sabemos como a interpretação da lei pode ser elástica no Brasil...

E temos ainda Bolsonaro, um politico com vários mandatos na Câmara de Deputados, mas com destaque muito mais pelo destempero verbal do que pelas suas habilidades administrativas ou de composição política. Ocorre que num país marcado pelo medo da violência e indignado com os políticos tradicionais, essa receita pode vingar e acabar dando num Jânio ou em um Collor e não na solução que tanto se deseja.

Para quem está assustado com a trajetória do dólar ou preocupado com a recuperação econômica do país é bom deixar bem claro que o mundo político não tem a solução. Ele é mais uma vez parte importante desse grande quebra-cabeças chamado Brasil.


Marcos Frank

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